A dança secreta dos números
Então o índice futuro, esse animal sem corpo e sem rosto, corre todos os dias pelas telas como se fosse um rio sem nascente e sem foz, apenas movimento, apenas rumor, e os homens, mulheres também mas em menor número, perseguem essa sombra com a crença de que nela se esconde a promessa de riqueza, mas o que se esconde mesmo é a oscilação, o tropeço, a queda, e também a súbita elevação que deixa os olhos em espanto, porque o índice não responde a perguntas, não concede explicações, ele apenas é e se move.
E esses que o seguem, traders lhes chamam, inventam linhas, traçam gráficos, colocam nomes como suporte e resistência, inventam teorias para acalmar a ansiedade de não saber, mas a verdade, se é que há, é que o índice futuro é apenas o retrato do presente, sempre atrasado de um instante e ao mesmo tempo adiantado de outro, paradoxo que ninguém resolve mas todos aceitam porque precisam negociar, precisam entrar e sair, e no entrar e no sair está o vício, o costume, a esperança.
Assim se passa o dia, a cada vela um destino, a cada candle uma decisão que é tomada e desfeita, e os números dançam em vermelho e verde, que não são cores mas sinais de sobrevivência, e o coração, ah o coração, bate como se fosse também parte do pregão, porque no fundo o índice futuro é apenas o espelho da própria alma de quem olha para ele, nervosa, aflita, desejante, e no fim o que se descobre é que o índice não promete nada, apenas devolve o que lhe é entregue: medo, ganância, paciência, ou talvez apenas o silêncio de uma tela quando o mercado fecha.
Treinar a mente para dominar nosso emocional.
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